No filme baseado em história de Cathleen Schine, A Sobrinha de Rameau, Parkey Posey (Vem Dormir Comigo) interpreta Margaret, uma escritora que faz pesquisas para um novo livro. Passa a reavaliar sua vida a partir da descoberta do diário de um Filósofo francês do Séc. XVIII, interpretado por Stephane Freiss, ator francês de Les Milles et une Nuits, entre outros. A leitura deste texto onde o Filósofo ensina muito mais do que simplesmente Filosofia para sua jovem discípula (Justine Waddel), produz em Margaret efeitos devastadores. Seu casamento com o professor de Literatura da Universidade de Nova York, Edward Nathan (o ótimo ator inglês Jeremy Northan), atravessa uma péssima fase e a escritora, que não consegue resolver seus problemas nem com o marido, tampouco com seu texto, resolve ir à França em busca de inspiração.Hóspede no castelo onde, presumivelmente, morou o Filósofo, agora um convento, conhece um engenheiro de som, Martin (Patrick Bruel), que se apaixona por Margaret. Esta viagem à França, recheada de fantasias eróticas, nos faz lembrar, mesmo que de passagem, de "Henry & June" , de Philip Kaufman. Na sua volta a Nova York, a heróina encontra seu outrora perfeito marido sendo assediado por uma atraente aluna, Sarah (a estreante Amy Phillps).
O filme tem diálogos deliciosos e ótimas interpretações. Craig Chester interpreta Richard Lane, o editor gay e melhor amigo de Margaret. Sujeito sensível e metódico que sofre com os ataques de nervos de sua protegida. Na pele da irmã da protagonista, Till Turner, está uma ótima Elizabeth McGovern (de Era Uma Vez na América). Autora de uma única peça teatral, que "recicla" através de várias montagens, é casada com o romancista Al Turner (Corbin Bernsein, mais conhecido pela famosa série de televisão L.A. Law), romancista e mulherengo notório.O questionamento de Margaret sobre sua vida a leva a uma série de encontros deliciosamente atrapalhados. Como o seu affair com um dentista charmoso, mas bastante confuso, Dr. Lipi (Alexis Denisof) ou ainda, a tentativa de romance com sua amiga Lily (uma engraçada Brooke Shields), uma artista meio desligada e bissexual. A comédia também tem ótimos momentos quando a escritora usa a sua já fértil imaginação, ativada pela leitura do diário, "despindo" todos os homens que aparecem à sua frente.Os passeios pelo Central Park ou almoços para fofocas de Margaret com sua irmã dramaturga e a amiga Lily são recheados de sátiras à vida intelectual e moderna de Nova York, lembrando em várias seqüências o seriado "Sexo e a Cidade" apresentado no Brasil pelo canal HBO.
