21/07/2026
Documentário

Miller & Fried - As origens do país do futebol

Documentário conta as histórias de dois pioneiros do futebol no Brasil, os paulistanos Charles Miller, que introduziu o esporte no país, e Arthur Friedenreich, atacante que foi um de seus primeiros ídolos populares.

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Se o Brasil é o país do futebol – ou, como preferia dizer o escritor José Lins do Rego, “o conhecimento do Brasil passa pelo futebol” -, dois indiscutíveis responsáveis são dois paulistanos, um nascido no Brás, outro na Luz, no final do século 19. Respectivamente, Charles Miller e Arthur Friedenreich.
 
Pelo nome, ambos parecem estrangeiros, mas não – Miller era filho de ingleses, Friedenreich, de um alemão -, evidenciando a importância da imigração na virada do século 19 para o 20. Filho de um engenheiro inglês que veio para o Brasil para implantar ferrovias, Charles foi mandado para estudar no sul da Inglaterra, em Southampton – onde descobriu o futebol, que ele jogou por lá tão bem, como atacante goleador, que deixou saudades ao voltar ao seu país de origem, onde foi o introdutor do mais amado esporte nacional.
 
Neto de uma família de alemães que participou da fundação da cidade catarinense de Blumenau, depois transferindo-se para São Paulo, Friedenreich era filho de uma professora mulata, Mathilde, agregada do clã que se casou com um deles. Cresceu numa cidade que rapidamente deixava de ser uma vilazinha provinciana para expandir-se no comércio, na indústria e no futebol, que pouco a pouco deixou os espaços fechados – como do velódromo da rua da Consolação e o parque Antártica – para ganhar as muitas várzeas que dariam origem a times populares, como o Corinthians Paulista, no começo do século 20.
 
Figuras emblemáticas dessa paixão que brotou na elite e se estendeu às camadas populares, Miller e Friedenreich estiveram frente a frente num campo apenas uma vez, numa partida em que Miller, aos 38 anos, excepcionalmente foi beque, não atacante, e na qual, como que simbolicamente, passava a Friedenreich o bastão dos novos tempos.
Jogador nascido nos campos de várzea que chegou aos clubes de elite – como o Germânia e o Paulistano -, Friedenreich foi um dos primeiros ídolos do esporte. Integrou a primeira seleção brasileira digna desse nome, em 1914, que bateu o time inglês Exeter City e ganhou a taça Roca na Argentina, além de vencer o primeiro torneio internacional para o país, o Campeonato Sul-Americano de Seleções (atual Copa América), em 1919. Numa final inesquecível contra o Uruguai, desdobrada em dois jogos, Friedenreich acabou fazendo o gol da vitória na segunda partida, um triunfo imortalizado por Pixinguinha na música 1 x 0 (tocada com novo arranjo no final do documentário). O jogador era mesmo um mito – jogou até os 43 anos e marcou notáveis 595 gols.
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