“Na noite passada, sonhei que ia a Manderley novamente...”. Assim começa Rebecca, A Mulher Inesquecível, primeiro filme de Alfred Hitchcock feito em Hollywood. A frase inicial dá o tom do tema da narrativa: a disputa entre o real e a fantasia (o sonho) e a disputa por uma propriedade. A narradora é interpretada por Joan Fontaine, enquanto a personagem-título sequer aparece (materialmente) no filme.
Rebecca é a primeira senhora de Winter, falecida mulher de Maxim de Winter (Laurence Olivier) e presença fantasmagórica ao longo dos 130 minutos do longa. Assim que chega a sua nova casa, a narradora, a segunda esposa de Maxim, conhece a sra. Danvers (Judith Anderson), a governanta de Manderley, uma fiel devota de Rebecca, que faz questão de apontar os toques da falecida em tudo na propriedade.
A disputa entre essas duas mulheres, mais do que a atenção do sr. de Winter, é pelo posto de dona da casa – sendo que a sra. Danvers não compete por si mesma, mas como uma espécie procuradora de Rebecca. Há ainda o mistério que paira sobre a morte de Rebecca e as ações da governanta, que não deixa o espírito da ex-patroa descansar em paz.
Rebecca foi um dos três filmes que Hitchcock adaptou de obras de Daphne Du Maurier – os outros dois são Os Pássaros e A Estalagem Maldita. O próprio livro foi alvo da acusação de plágio de uma obra da brasileira Carolina Nabuco, A Sucessora (transformada numa novela de sucesso nos anos de 1970). Aqui, o cineasta inglês encontrou o material perfeito para uma história de amor incondicional – mais entre a governanta e sua patroa morta do que entre o casal de Winter – e obsessão.
