O título de Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud vem de uma fusão entre as palavras histórias e “estórias”. A combinação criada pelo diretor, roteirista e montador do filme, Francisco Capoulade, dá exatamente a ideia que seu documentário pretende passar: a mistura entre o cientificismo da história e a oralidade dos “causos” da “estória”. O subtítulo, por sua vez, explica o foco do longa, sobre a tradução, leitura e difusão da obra de Sigmund Freud no Brasil, além de sua atualidade.
Por meio da obra de Freud e suas influências até o presente, Capoulade faz uma viagem pelo século XX, resgatando a trajetória do médico e escritor. O diferencial do longa está exatamente em abordar seu estudo em cenário brasileiro, com depoimentos de médicos, escritores e pensadores do país, abordando assuntos como a polêmica da tradução nacional. Só no século XXI a obra de Freud está sendo relançada numa tradução mais fiel ao original, por exemplo.
Entre os entrevistados estão o psicanalista e escritor Christian Dunker, a psicanalista e cineasta Miriam Chnaiderman (De gravata e unha vermelha), o filósofo Sérgio Paulo Rouanet, e o psicanalista e psicólogo Terêncio Hill. Alguns depoimentos, no entanto, não dizem muito a que vieram, como é o caso da escritora Lya Luft, cujas poucas intervenções não deixam muito claro o que ela está fazendo ali.
Às vezes excessivamente didático, Hestórias de Psicanálise talvez ganhasse mais se exibido como uma série na televisão. O assunto é interessante e importante, e o diretor tem um material vasto e rico – é de se imaginar o que ficou de fora da edição final – que renderia bem mais em vários episódios.
