Mortadelo e Salaminho, dois personagens dos quadrinhos, criados por Francisco Ibáñez no final dos anos de 1950, tenta resistir ao tempo e se modernizar na animação Mortadelo & Saliminho – em Missão Inacreditável, que ganhou os prêmios Goya de roteiro adaptado e animação em 2015.
Dirigido por Javier Fesser – que assina o roteiro com Claro García e Cristóbal Ruiz –, visualmente o longa é bonito, com seu colorido vigoroso, repleto de cenas de ação. Mas, com sua música incessante e humor estridente, mais parece um desenho de televisão espichado. Essa é a segunda incursão do diretor no universo dos personagens - a primeira é de 2003, com Mortadelo E Salaminho - Agentes Quase Secretos.
A trama tem como ponto de partida um ataque de risos que toma conta da humanidade, e só Mortadelo e Salaminho podem salvar o mundo, pois são da T.I.A (Técnicos de Investigações Avançadas). É, na verdade, um mero pretexto para uma sucessão de cenas cômicas que, algumas vezes, ultrapassam o pastelão. É preciso estar em sintonia com o tipo de humor praticado com os personagens para aproveitar o filme. Os diálogos são uma metralhadora giratória ininterrupta, assim como a ação.
Para as crianças e adultos espanhóis, que cresceram cercados pelos personagens, talvez o filme e seu humor façam mais sentido, exista neles mais graça. Aqui, no entanto, parece que algo se perdeu ao cruzar o Atlântico.
