04/06/2026
Documentário

Do pó da terra

O Vale do Jequitinhonha e seus moradores são o centro desse documentário dirigido por Maurício Nahas, que investiga não apenas a produção artesanal da região, mas também as dinâmicas sociais.

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“Nós mexemos com barro. Nós guardamos esse conhecimento milenar. O fogo é a transformação, ou seja, o preto fica branco, o amarelo fica vermelho. E a resistência da peça também, quando se queima uma peça, ela se transforma em rocha, uma rocha sólida que não dissolve com a água”, assim define um dos entrevistados (um escultor e professor) do documentário Do Pó da Terra, sobre os moradores do Vale do Jequitinhonha (MG), sua arte e a relação deles com a matéria-prima, o barro.
 
Dirigido por Maurício Nahas, o longa se pauta por um retrato quase impressionista sobre a produção de artefatos na região. A formação e experiência do documentarista como fotógrafo (esse é seu primeiro longa na direção) ajuda na captação de belas imagens que aproveita os tons do barro na composição do quadro.
 
Há, por um lado, a investigação da produção artística dos moradores da região, mas, ao mesmo tempo, o diretor é capaz de conseguir um retrato social desse lugar. São pessoas sem muitas oportunidades a não ser se tornar artesão ou cortar cana. Essa limitação gera uma saída dos mais jovens, como apontam entrevistas.
 
A arte como consciência surge, então, naturalmente nas palavras dos próprios entrevistados. Há uma produção mais engajada também, como explica uma das artistas, que usa sua produção para explorar as questões do negro e indígenas (ambos seus ancestrais).
 
Com um olhar livre de amarras sociológicas, antropológicas ou de crítico de arte, Nahas deixa que os próprios moradores da região contem suas histórias, desvendem seu modo de vida e peculiaridades. O que se abre é uma comunidade repleta, como qualquer outra, de suas dinâmicas sociais, culturais entre outras, e o resultado é um retrato ditado pelo tempo da fala pausada e repleta de riqueza dos habitantes locais.
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