23/06/2026
Comédia dramática

Estranhos no paraíso

Willie é um húngaro que vive em Nova York e um dia tem que hospedar a prima, Eva, que vem de Budapeste. Os dois se estranham no começo, mas depois acabam convivendo melhor, com a ajuda do amigo dele, Eddie. Ela se muda para Cleveland mas os dois a procuram para uma viagem de carro até a Flórida.

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Estranhos no Paraíso, segundo filme do diretor indie Jim Jarmusch, guarda todo esse frescor no olhar para personagens soltos na vida e a aparência de que não está acontecendo nada quando está acontecendo tudo que se tornaram a marca ao longo da carreira do diretor. Filmado num despojado preto-e-branco, o filme já sinaliza a opacidade nestas vidas miúdas de enjeitados do “sonho americano” que a história amorosamente acompanha.
 
Willie (John Lurie) é um imigrante húngaro que há muito vive em Nova York, a ponto de rejeitar suas raízes e sua língua. Mas o passado bate à porta quando sua tia lhe telefona, avisando que uma prima húngara, Eva (Ezster Balint) está chegando e ele vai ter que hospedá-la até que a tia saia do hospital.
 
De má vontade, Willie a recebe e não mostra muita animação. Mas a moça é sangue do seu sangue, ou seja, também não se assusta com cara feia e é capaz de demonstrar uma franqueza desconcertante.
 
Amigo de Willie, Eddie (Richard Edson) simpatiza com Eva e quer levá-la com eles quando saem para seu giro habitual pelo circuito de apostas em cavalo e carteado que lhes garantem a sobrevivência. Mas Willie não quer ouvir falar disso.
 
Eventualmente, os ânimos se suavizam e Eva parte para a casa da tia, em Cleveland. Mas até o presente de despedida de Willie, um vestido (coisa que Eva jamais usa) e seu destino encorpam um incidente que diz tudo sobre estes personagens, engraçados sem nada precisarem dizer.

 

Willie e Eddie se dão bem no jogo e, tempos depois, resolvem visitar Eva em Cleveland. Arranjam um carro e lá vão, para encontrar a moça numa vidinha besta, trabalhando como garçonete numa lanchonete à noite.

Na Flórida, novos incidentes envolvendo jogo e um dinheiro inesperado reviram a vida destes três outsiders, cujo charme melancólico é uma constante lembrança de que a vida é uma sucessão de acasos, cujo sentido só malucos tentam decifrar. Eles não tentam. Só seguem em frente, colhendo tudo que a sorte, ou o azar, colocam à disposição.

O filme venceu vários prêmios, como o Caméra d’Or em Cannes, o Prêmio do Júri em Sundance e o Leopardo do Ouro em Locarno.
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