04/06/2026
Comédia

Eu fico loko

Christian é um adolescente típico de classe média que, para não sofrer bullying na escola, inventa que já ficou com uma menina. Acontece que a menina realmente existe, e não mora muito longe dele. Quando seus amigos estão perto de descobrir a verdade, ele precisa inventar outras mentiras.

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É preciso, antes de mais nada, despir-se de qualquer preconceito para se aproximar da comédia juvenil Eu Fico Loko, sobre a vida e obra (por assim dizer) do youtuber brasileiro Christian Figueiredo. Detratores dirão que não há assunto para justificar a cinebiografia de uma cybercelebridade de 22 anos – e, olhando por esse prisma, talvez não haja mesmo. Mas a verdade é que o filme de Bruno Garotti tem seu público garantido e algo a dizer.
 
Uma mistura de Malhação com Confissões de Adolescente (sob o ponto de vista masculino, agora), o longa, roteirizado pelo próprio diretor, acompanha as aventuras e desventuras de Christian (Filipe Bragança), um típico adolescente de classe média com todas as aflições, ansiedades e medos de qualquer jovem de sua idade. Talvez esteja aí o que há de melhor no longa – não tratar seu protagonista como um caso especial, mas como qualquer outro adolescente procurando seu lugar no mundo, e quebrando a cara muitas vezes antes de encontrar (se é que encontra).
 
A família é composta pela mãe, Lilian (Alessandra Negrini), tentando ser zen, mas  um tanto estressada; a avó Tatiana (Suely Franco), que não mede suas palavras e ações; e o pai, Wanderley (Marcello Airoldi). E há também seu melhor amigo, Yan (José Victor Pires). Já o próprio youtuber faz participações pontuais ao longo da trama, como que para dar um selo de garantia de que tais fatos realmente aconteceram com ele. Embora a rigor desnecessárias, essas aparições até são, de certo modo, justificáveis, pois seria muito frustrante para os fãs irem ver um filme sobre o ídolo e ele não estar em cena.
 
O que impulsiona a trama é a paixão de Christian por sua amiga, Alice (Isabella Moreira), que ele conhece desde pequeno, mas não sabe como lidar com isso. Quando começa a ser cobrado na escola por ser BV (boca virgem), ele inventa que já ficou com uma menina e cria um nome – coincidentemente, existe uma garota com esse nome, e não mora muito longe, conforme descobre no Facebook.
 
Cria-se, então, uma comédia de erros, pois Gabriela (Giovana Grigio), este é o nome da garota, parece ficar realmente interessada por ele quando se apresenta a ela, e engatam um romance. É entre essas idas e vindas que surge no protagonista a necessidade de se expressar, encontrando espaço na internet, criando um canal precariamente, até que se aprimora. Nesse sentido, Eu fico loko é um filme sintonizado com seu tempo.  
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