04/06/2026
Drama

Nojoom, 10 anos, divorciada

Com menos de 10 anos, Nojoom é obrigada a se casar com um homem de 30 anos. O arranjo satisfaz a todos – inclusive sua família que recebe um dote – exceto ela, que agora vai a um tribunal pedir o divórcio.

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Um dos raros filmes produzidos no Iêmen, Nojoom – Dez Anos e Divorciada é um trabalho de empenho social. Escrito e dirigido pela documentarista Khadija al-Salami, o longa tem como questão um assunto bastante conhecido no mundo todo, cujo debate ganha força: meninas forçadas a se casar.
 
A diretora, que foi obrigada a se casar aos 11 anos, encontra uma ressonância pessoal para contar a história de Nojoom (Reham Mohammed), que, aos 10 anos, vai à justiça para pedir o divórcio de seu marido mais de duas décadas mais velho (Sawadi Alkainai). A garota conta ao juiz (Adnan Alkhader) o seu calvário desde quando era ainda menor num pequeno vilarejo de plantação de café.
 
Tudo começa quando o pai (Ibrahim Alashmori) arruma uma segunda mulher (Shafikha Alanisi), causando problemas com a primeira (Naziha Alansi), que é a mãe de Nojoom. A família leva uma vida de dificuldades, e as coisas se complicam quando a filha mais velha é estuprada e forçada a se casar com o estuprador - que, tempos depois, a acusa de não ser virgem quando se casou. A família, envergonhada, acaba se mudando e, sem dinheiro, Nojoom é forçada a se casar, em troca de um dote.
 
No novo vilarejo as coisas pioram para a menina, forçada ao leito conjugal com um marido bem mais velho e tirano, e sofrendo nas mãos da sogra exploradora. Como Nojoom se rebela, e não se submete aos desejos do marido sem protestar, ele a leva de volta à família. É quando a menina consegue fugir e procurar a justiça.
 
A opção por uma ficção parece se justificar na medida em que esta dá espaço para recriações e investigações que nem sempre um documentário conseguiria. Mas Salami não consegue evitar armadilhas que ela mesma cria ao fazer um filme de tese, que joga na estrutura social toda a culpa da existência de noivas-crianças, eximindo, assim, os pais de sua parcela de responsabilidade. Sem muita sutileza ou nuance – o título já é uma prova disso – Nojoom vale mais como uma denúncia de atrocidades do que por suas qualidades cinematográficas.
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