Há uma regra clara para definir o público de Smurfs e a Vila Perdida: esse filme não é destinado a quem tem idade suficiente para ir ao cinema desacompanhado de um responsável. Não deve funcionar nem como nostalgia para quem cresceu, nos anos de 1980-1990, vendo as criaturinhas azuis no desenho da televisão. Tirando isso, o filme deve agradar ao seu público-alvo com facilidade, dados o colorido vibrante e os personagens fofinhos.
O terceiro longa protagonizado pelos Smurfs é inteiramente uma animação – os outros dois, de 2011 e 2013, contavam com atores, como Hank Azaria, no papel do bruxo Gargamel, o que não funcionava direito. O diretor Kelly Asbury (Gnomeu & Julieta, Shrek 2) acerta ao colocar Smurfette, a única Smurf do gênero feminino, como protagonista.
O longa é uma jornada em busca de sua identidade. Tais como os anões da Branca de Neve, os Smurfs recebem nomes conforme sua característica mais marcante – o Gênio, o Desastrado, o Vaidoso, o Robusto etc. Acontece que Smurfette foi uma criação de Gargamel, a partir de suas bruxarias, mandada para a vila dos Smurfs para ajudá-lo a encontrar a vila das criaturinhas. Ela, porém, acaba acolhida por eles, rebela-se contra seu criador, mas, ainda assim, nunca encontrou sua verdadeira “função”, o que a incomoda secretamente.
A descoberta acidental de uma nova vila, onde só vivem Smurfs do gênero feminino, pode ajudá-la a encontrar o seu lugar no mundo. Mas o local também desperta os interesses de Gargamel, que, com a ajuda de seu gato, vai tentar encontrar o vilarejo também.
Ao centro do filme – escrito por Stacey Harman e Pamela Ribon – está a jornada de Smurfette para descobrir sua identidade. Dessa forma, o longa se alinha com as discussões do presente sobre os papéis e aspirações das mulheres na sociedade. No geral, como de costume com os filmes e desenhos para a televisão com os azuizinhos, Smurfs e a Vila Perdida é ingênuo até a medula. Ainda assim, encontra espaço para um discurso que está cada vez mais em sintonia com os novos tempos – algo que a Disney já percebeu e capitalizou em cima há alguns anos.
