O título Gaga – Amor pela dança pode iludir algum desavisado que pensar se tratar de um filme sobre a diva pop, mas o documentário de Tomer Heymann não poderia passar mais longe disso. Seu protagonista é o coreógrafo e bailarino israelense Ohad Naharin, diretor artístico da Batsheva Dance Company, criador de um estilo de movimentação corporal chamado Gaga.
Seu trabalho mais famoso também é o mais controverso. Uma coreografia criada para ser apresentada durante as comemorações dos 50 anos do Estado de Israel, que foi censurada por usar roupas “muito provocantes”, apesar de serem roupas de baixo um tanto pudicas até. Ele e seus bailarinos se recusaram a se apresentar, e a censura gerou protestos em diversas partes do mundo. Essa é, talvez, a história mais interessante do documentário Gaga, mas o diretor pouco a explora.
O diretor Heymann parece fascinado demais com a figura de Naharin, e isso não é condenável, afinal o coreógrafo é bonito, carismático e bom de papo. A falta de distanciamentono entanto, transforma o filme num longo elogio ilustrado pelas belas coreografias do biografado – muito se mostra e fala, mas pouco se esclarece. Até o próprio estilo “Gaga” criado por ele nem é explicado ao filme. É preciso recorrer ao Google para entender melhor o que é isso. Há também um depoimento inexplicável e gratuito de Natalie Portman contando porque esse estio é tão importante para ela.
Seguindo a regra de documentários pouco inventivos, Heymann acompanha o coreógrafo desde a infância – com imagens caseiras dele dançando sem saber quem um dia viria a ser – até o presente, novamente em Israel, depois de morar, estudar e trabalhar por uma temporada nos Estados Unidos.
A sorte do filme é ter documentadas diversas coreografias criadas e apresentadas pelo profissional, embora elas não sejam apresentadas por muito tempo, ou, ao menos, um tempo suficiente para que sejam apreciadas. O que vemos são alguns rápidos momentos marcantes – especialmente de uma chamada “Last Work”, originalmente, de 2015 – que dão uma breve ideia do todo.
Transitando entre a vida pessoal do biografado – especialmente seu casamento com a também bailarina Mari Kajiwara, morta em 2001, vítima de um câncer – e a vida artística, Gaga é um filme para iniciados que até consegue seduzir quem não conhece Naharin. Mas para algo mais aprofundado ou até filmagens mais extensas de suas coreografias será preciso recorrer à internet.
