19/07/2026
Documentário

Quem é Primavera das Neves

Tradutora e poeta, Primavera das Neves torna-se objeto da curiosidade de Jorge Furtado a partir de seu nome incomum. A investigação revela uma mulher extraordinária e talentosa, que viveu uma vida incomum.

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O documentário, dirigido a quatro mãos por Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, é uma vitória da simplicidade. Não da simplicidade banal, mas da persistência de uma busca aparentemente singela que revela aspectos inusitados e poéticos de uma vida aparentemente comum.
 
Tudo começa como uma discreta investigação dos diretores, a partir da curiosidade despertada por um nome incomum: Primavera das Neves, tradutora de diversos clássicos da literatura. Tem toda a cara de um pseudônimo, de um nome inventado, mas não. O mais incrível é que se trata de uma pessoa que existiu e se chamava realmente Primavera Ácrata Saiz das Neves, era portuguesa, não só tradutora como também poeta, levando uma vida entre dois países, Portugal e o Brasil.
 
Como em todos os documentários instigantes, o processo de desvelamento importa muito e se torna parte da investigação. A partir de uma pista lançada por Jorge Furtado em seu blog, uma amiga de infância da tradutora, Eulalie Ligneuil, torna-se parceira desta procura por indícios de uma vida muito interessante, digna de conhecimento mas que seria invisível caso não se tornasse objeto desta curiosidade, e também da memória de amigas (outra é a artista plástica Anna Bella Geiger).
 
Neste processo, certamente, se desdobra mais uma camada, a da inserção na História. A vida de Primavera foi mudada por ditaduras, em Portugal e no Brasil, o que determinou parte de suas andanças, bem como as de seu marido, o militar português Manuel Pedroso Marques. É dele, aliás, um dos momentos mais comoventes do filme. E no todo o documentário se revela como uma celebração dos acidentes de todos os afetos. 
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