Em Na Vertical, o diretor Alain Guiraudie (Um estranho no lago) novamente aposta em comportamentos não convencionais e numa sexualidade exacerbada para compor a vida de um grupo de personagens à procura de um destino, em que o subtexto é também a composição de um roteiro.
O protagonista, Léo (Damien Bonnard), é um roteirista em bloqueio criativo. Cai na estrada e encontra uma mulher, Marie (India Hair), pastoreando um bando de ovelhas, numa região assolada por ataques de lobos. Ela é mãe de dois filhos e vive com o pai (Raphael Thierry) num sítio, em que o viajante acaba ficando por um tempo.
O romance não dura muito tempo, mas nasce um bebê, que fica com o pai. Este vive sendo cobrado pelo telefone para entregar este roteiro que ele nunca termina. Ao mesmo tempo, ele não esconde sua atração por alguns homens, como um jovem que vive com um homem velho. O próprio sogro sente atração por ele.
Sexo, a luta pela sobrevivência e um discurso metalinguístico – há uma cena impagável da fuga do protagonista num rio – conduzem Na Vertical, que é um tanto fragmentário e confuso. Em compensação, tem uma bela cena final envolvendo os lobos, que quase compensa fragilidades anteriores da história toda. Quase.
