Na falta de boas piadas, o roteiro desce a ladeira do humor pastelão, das insinuações sexuais de gosto duvidoso e do humor de banheiro mais infanto-juvenil - três coisas, aliás, para as quais o protagonista Leslie Nielsen, do alto de seus 75 anos, já demonstra não ter mesmo a menor aptidão.
A sátira a 2001 - Uma Odisséia no Espaço, explorada no título, fica estabelecida na abertura, ao som da mesma música, Assim Falou Zaratustra, onde o famoso feto do filme de Kubrick é substituído por Nielsen. Pior é o que se faz na famosa cena do monolito negro - melhor nem comentar, porque, mesmo infame, é uma das tiradas menos ruins de toda a produção. Aguarde-se o que virá numa outra seqüência, em que o agente Dick Pintux (Nielsen) viaja para outro planeta e faz o diabo dentro de uma nave sem gravidade.
O argumento central explora a clonagem do presidente americano - aqui, ainda Bill Clinton (Damien Masson). Pintux é o agente enviado ao planeta Vegan para estourar o centro ilegal de clonagem, dirigido por um certo dr. Pratt (Peter Egan) e sua assistente escultural (Alexandra Kamp-Groeneveld). A missão do agente atrapalhado é resgatar o verdadeiro presidente, preso em Vegan, e recolocá-lo no poder, para o que conta com a ajuda da atlética lourinha Cassandra Menage (Ophélie Winter).
O clímax de todo o imbroglio acontece num teatro em que se apresentam os incansáveis três tenores - que, ao contrário de Kubrick, bem que merecem a gozação, por mais rasteira que seja.
