Pica-Pau chega ao cinema no Brasil (um dos raros países onde desembarcou na tela grande) numa versão tosca e chocha que não faz justiça ao personagem, criado em 1940 por Walter Lantz e que ainda hoje povoa programas infantis na TV brasileira. Em sua defesa, alega-se até que foi merecedor da deferência graças às várias gerações de brasileiros que acompanharam suas aventuras nos programas infantis, resistindo bravamente à idiotização das apresentadoras loiras. Se receberá a aprovação das crianças brasileiras, só será possível saber quando a bilheteria for revelada. Mas as opiniões desfavoráveis da crítica e de comentaristas são um mau sinal para a carreira do passarinho.
Unindo animação e live action (o personagem criado graficamente contracena com atores), o irreverente pássaro de topete vermelho, que se diverte em bicar a cabeça de seus desafetos, terá o difícil desafio de conquistar a nova geração de crianças, habituadas às produções inteligentes e criativas de estúdios como Disney e Pixar, por exemplo, e que também acompanham o personagem na TV.
Na história, dirigida e roteirizada por Alex Zamm de forma bem linear, Pica-Pau infernizará a vida do advogado Lance Walters (Timothy Omundson) que acaba de ser demitido e pretende ganhar dinheiro com a construção de uma casa em um terreno que possui na floresta.
A bordo de um trailer, na companhia da namorada, Samanta (a brasileira Thaila Ayala), e do filho adolescente, Tommy (Graham Verchere), Lance acompanha a chegada dos construtores e pede pressa na execução do projeto.
Do buraco que transformou em casa, no tronco de uma árvore, Pica-Pau acompanha a movimentação e traça a estratégia que adotará para infernizar a vida dos operários e impedir o prosseguimento da obra. Se as peraltices que executa nos desenho animado são dignas do melhor humor chapliniano, na telona são apenas bobinhas e previsíveis.
Lance tenta tudo para brecar a vingança de Pica-Pau, mas a grande descoberta é que pode conquistar sua simpatia pelo estômago, pois o bicho é louco por pasta de amendoim.
Mas há outros perigos na mata, que podem por tudo a perder, até mesmo para o guloso Pica-Pau.
