O título original dessa comédia dramática francesa – Arnaud faz seu segundo filme – dá a dimensão exata do longa escrito, dirigido e protagonizado por Arnaud Viard (o ator francês de Paris pode esperar). O cineasta realizou seu primeiro longa em 2004 (Clara et moi) e desde então tenta fazer o segundo. Nesses mais de dez anos, envolveu-se em diversos projetos como ator, inclusive na televisão, o que, a seu ver, diminuiu sua respeitabilidade.
A comédia brinca com isso, a dificuldade de um cineasta independente realizar um filme, a eterna luta entre alta cultura e cultura de massas e as relações pessoais do personagem Arnaud, calcado no seu criador. A figura fictícia é casada com Chloe (Irène Jacob), com quem tenta ter um filho por inseminação artificial, mas isso também não está dando certo.
Nada na vida dele, aliás, está funcionando. Sem dinheiro e tentando encontrar uma ideia para um novo filme, Arnaud vai dar aulas de atuação – e nem é muito respeitado pelos alunos porque já trabalhou na televisão – quando conhece Gabrielle (Louise Coldefy), aspirante a atriz famosa (isso ela deixa bem claro), e sua vida muda.
Com algo de Woody Allen e uma clara metalinguagem, Viard brinca com conceitos e ideias sobre o cinema francês contemporâneo, que parece prezar as produções “de arte”, mas, no fundo, como qualquer indústria, é movida pelos lucros exorbitantes.
