Todo crítico que se disponha a examinar este trabalho pelo ângulo da qualidade artística pode até ficar na posição desconfortável de vilão. Afinal, no Brasil, o filme está associado a uma campanha beneficente junto a três associações muito respeitadas na área do bem ao próximo e que merecem todos os elogios. Por outro lado, seria desonesto não alertar o público sobre o tipo de espetáculo que irá assistir. Não se faz jus, em nenhum momento, ao talento do trio de atores principais, de méritos conhecidos por seus trabalhos anteriores. Todos ficam ofuscados pelos clichês de uma história que comete todos os pecados em nome de um bom-mocismo que pode até ser bem-intencionado, mas não passa do superficial. O garoto Trevor (Osment) vive um tanto largado depois que seu pai (Jon Bon Jovi) foi embora e a mãe Arlene (Helen Hunt) se desdobra em dois empregos. Quando chega em casa, tarde da noite, deprimida e exausta, ela se entrega à bebida.
Mas Trevor é um menino especial, o que não passa despercebido na escola ao seu novo professor de Estudos Sociais, Eugene Simonet (Kevin Spacey). O professor também tem lá os seus problemas. Com o rosto muito marcado por queimaduras, ele tem dificuldades de relacionamento, especialmente com as mulheres. Trevor resolve dar uma de Cupido, aproximando sua mãe do professor. Ao fazer isso, de quebra, está cumprindo à risca o dever de casa proposto pelo próprio Eugene - dar um jeito de mudar um pouco o mundo conturbado à sua volta.
Tomando a proposta do mestre mais a sério do que seus colegas de classe, o menino decide fazer três favores a três pessoas à sua volta que, por sua vez, devem passar o benefício adiante. Desnecessário dizer que o idealismo traz a Trevor mais problemas do que satisfação. Mas a história de Leslie Dixon, baseado no livro de Catherine Ryan Hyde, ainda está longe de desistir de nocautear seu espectador de tanto chorar. O final, especialmente, vai tão fundo nisso que dá até para duvidar dos bons sentimentos dos envolvidos na produção.
