18/07/2026
Documentário

Visages, villages

Percorrendo várias cidades pelo interior da França, a cineasta Agnès Varda e o fotógrafo e artista JR conversam com diversos personagens, que contam suas vidas e são fotografados por JR - que transforma estas imagens em painéis que modificam as paisagens.

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Vencedora do prêmio Olho de Ouro como melhor documentário no Festival de Cannes 2017 e indicada ao Oscar de melhor documentário 2018, a obra da veterana Agnès Varda, uma parceria com o jovem fotógrafo JR, é um bálsamo em forma de filme.
 
Ela com 89 anos, ele com 33, juntos embarcam numa viagem por pequenas cidades do interior da França em busca do que o título do filme entrega de saída: rostos, lugares. Os dois interagem com os moradores de diversas dessas localidades interioranas, resgatando personagens únicos, como a senhora que é a última moradora de uma vila de mineiros e se recusa a abandonar o conjunto residencial, hoje vazio; o homem que cultiva sozinho cerca de 800 hectares; dois pastores de cabras com visões muito diferentes sobre o manejo dos animais; e as esposas de portuários do enorme porto de Le Havre.
 
O filme é feito das conversas com essas e outras pessoas, que vão se tornando objeto das fotos de JR. Depois, o artista as transforma em gigantescos painéis que são ampliados e colocados nos exteriores de casas, galpões, fábricas, caixas d’água, vagões de trem, alterando a paisagem com uma intervenção artística que reforça a identidade destes inúmeros rostos anônimos que fazem a vida cotidiana acontecer.
 
Uma atração à parte são as conversas entre Agnès e JR, dois artistas que se comunicam, provocam, correspondem de uma maneira que prova que a idade é uma questão de espírito. A música e a animação dos créditos são outras pérolas dentro da pequena joia que é este filme.
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