04/06/2026
Documentário

Todas As Meninas Reunidas, Vamos Lá

Anualmente, em Sorocaba (SP), o evento Girls Rock Camp Brasil reúne meninas entre 7 e 17 anos e ensina a tocar um instrumento musical, além de discutir o papel e a luta das mulheres na sociedade contemporânea.

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Um acampamento exclusivo para meninas, no qual, durante uma semana, elas aprenderão a tocar um instrumento musical, formarão uma banda, comporão uma música e farão uma apresentação. Além disso tudo, também, ao lado de outras garotas e monitoras um pouco mais velhas irão discutir as lutas das mulheres em nosso tempo. Esse é o cenário do documentário Todas As Meninas Reunidas, Vamos Lá, de Carol Fernandes, que, acompanhou a edição de 2017 do projeto.
 
Girls Rock Camp Brasil é o ponto de partida deste documentário que, embora modesto, tenta expandir suas fronteiras, investigando o que é ser uma garota brasileira de classe média no século XXI. O resultado, apesar de irregular, tem um valor quase antropológico em seu estudo dessa parcela bem delimitada da população.
 
O acampamento, que acontece no começo do ano, em Sorocaba, interior de SP, reúne garotas de 7 a 17 anos. Em sua página na internet, o evento define como sua missão: “Empoderar e promover a autoestima de meninas e mulheres por meio da educação musical, criatividade, pensamento crítico e colaboração”. E é exatamente isso que se vê na tela, no acompanhamento dessa semana de atividades.
 
Certamente é mais interessante e divertido para as garotas que estiveram lá do que para quem está sentado numa sala de cinema assistindo ao filme, que registra a experiência. Ainda assim, o filme funciona como um registro ao mostrar na prática como esse tipo de atividade é importante no sentido de estimular uma nova consciência social das garotas em sintonia com as aspirações do presente.
 
A diretora consegue escapar da armadilha de transformar seu filme numa mera propaganda ou num institucional por contar com boas entrevistas de voluntárias, participantes e da diretora do acampamento, a socióloga e professora Flavia Biggs. Como é de se esperar, vemos na tela garotas e mulheres adultas dizendo o quão importante a experiência foi para elas – tanto musical quanto social e emocionalmente. Tudo é interessante e muito bem montado, por Marianne Crestani e Michelle Brito, mas fica a dúvida se esse é um filme que realmente pede uma exibição em sala de cinema, se não seria mais eficiente em seu propósito estrear diretamente em streaming ou num canal de televisão.
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