Ben (Dustin Hoffman) acaba de se formar na faculdade, mas sua educação sentimental está apenas começando com Mrs. Robinson (Anne Bancroft), uma mulher mais velha, casada com o sócio de seu pai e mãe de sua namorada, Elaine (Katherine Ross). Dirigido por Mike Nichols, o longa investiga o mesmo choque de gerações de seu filme anterior, sua estreia no cinema, Quem tem medo de Virginia Woolf? (1966).
“Se a história fosse contada como drama direto”, diz a crítica da Variety na época do lançamento, “seria apenas mais um drama chato – o equivalente hippie aos filmes de mulher – no qual olhares vagos devem transmitir emoção e trama”. O que passou despercebido na época, mas não deve agora, é o caráter predador dos personagens do filme – é impossível não imaginar como seriam as coisas se Mr. Robinson estivesse seduzindo uma jovenzinha.
Por outro lado, as sensibilidades contemporâneas também podem ser muito mais simpáticas a Mrs. Robinson, uma mulher frustrada nos papeis que a sociedade lhe permitiu ter – esposa, mãe, femme fatale suburbana. Sim, porque até para ser isso ela precisa do aval de um homem – aquele que ela seduz, ou crê seduzir. A dinâmica é vista por outro prisma. Ajuda o fato de que Anne era uma atriz de carisma e talento, sendo capaz de adicionar outras camadas à personagem além do vampirismo em busca da juventude perdida, levando para cama o filho do sócio do marido.
Ben também começa sua longa jornada de frustração suburbana como um homenzinho preso no aquário com roupa de mergulho que tem o mundo inteiro para si, desde que o mundo seja do tamanho da piscina. Ben é esse homenzinho e seu mundo, não muito maior do que um aquário.
Há, por fim, a famosa trilha sonora de Simon e Garfunkel, com a música Mrs. Robinson – que aparece no filme apenas em acordes –, na qual se diz que Jesus a ama mais do que ela jamais saberá. E também a melancólica The Sound of Silence (“olá, escuridão, minha velha amiga, vim falar com você novamente”), na abertura do filme num aeroporto – uma cena que, trinta anos depois, Quentin Tarantino homenagearia no começo de seu Jackie Brown.
