Protagonistas de uma feroz rivalidade interestadual que já dura décadas, o baiano Reginaldo “Holyfield” e o pernambucano Luciano “Todo Duro” são os boxeadores que protagonizam o documentário A luta do século, de Sergio Machado, vencedor no Festival do Rio 2016 como melhor filme nesta categoria.
Os dois têm muito em comum, a começar pela origem humilde. Reginaldo era estivador, Luciano, jardineiro, antes de descobrirem o boxe, profissão que os tirou do analfabetismo, dando-lhes notoriedade mas não exatamente fortuna.
A trajetória destes dois anti-herois, que tinham nas costas três vitórias cada um antes da revanche retratada pelo filme – quando ambos já passavam dos 50 anos – é cheia de altos e baixos. Se ganharam dinheiro, também o perderam, num país em que a profissionalização de esportistas passa por meandros incertos.
A rivalidade entre os dois, no entanto, é coisa séria. Não raro, quando se preparavam para a divulgação de uma nova luta, os dois se pegavam de pancadas, para valer, inclusive diante de câmeras de televisão. Coisa que pode acontecer até hoje, com as insistentes provocações de Luciano, que armam o pavio curto de Reginaldo.
Mas é fato, também, que Luciano já ajudou bastante Reginaldo numa fase que ele enfrentou sérios problemas de saúde. O grande trunfo do documentário é explorar estas nuances humanas de dois personagens de um esporte bem mais popular do que se pode imaginar. E Sergio Machado é um diretor sensível e habilitado para apresentar um pouco do coração primitivo deste Brasil altamente complexo e contraditório.
