Com a proximidade do centenário de nascimento, no próximo ano, do compositor e maestro manauense Claudio Santoro, o documentário Santoro – O homem e sua música resgata a trajetória musical e pessoal do biografado, que morreu em 1989.
Santoro foi autor de mais de 600 peças musicais que transitam entre os mais diversos estilos, incluindo obras sinfônicas e eletroacústicas, gênero no qual ele foi um dos pioneiros. O filme é amplamente ilustrado com imagens de arquivo e execução de composições dele – inclusive sua parceria com Vinicius de Moraes, em músicas como 13 poemas de amor e A música da alma, o que fez dele um dos precursores da bossa nova.
Estudiosos, parentes e amigos resgatam a trajetória de Santoro. O filme de John Howard Szerman é bastante convencional nesse sentido, mas isso não impede o documentário, rico em música, especialmente, de apresentar a bela obra do maestro e compositor a um público bem maior do que aquele que normalmente tem acesso a suas composições. Entre as obras de Santoro está a trilha do filme O saci, de Rodolfo Nanni (1951), que recorda o músico como a pessoa ideal para o trabalho: “Um cara muito pra frente, e, ao mesmo tempo, bastante trabalhador”.
O documentário resgata também a trajetória política de Santoro, cuja música em vários momentos esteve ligada à politica, em sua resistência contra a ditadura militar no Brasil, o que causou-lhe problemas profissionais. Mais tarde, foi um dos criadores do departamento de música da Universidade de Brasília – que foi uma das mais perseguidas no regime militar.
O compositor e musicólogo Sergio Nogueira Mendes, por exemplo, aponta na obra de Santoro a diversidade – “um leque de possibilidades” –, e o produtor cultural Fernando Bicudo, por sua vez, define Santoro como um dos maiores compositores do país, ainda que pouco conhecido. O filme de Szerman tem tudo para sanar essa lacuna.
