04/06/2026
Documentário

Imagens do Estado Novo - 1937 a 1945

A partir de diversos materiais de arquivo, o documentário analisa o período entre 1937 e 1945, época do Estado Novo, quando o governo liderado por Getúlio Vargas alimentou simpatias pelo nazi-fascismo, criou a Lei de Segurança Nacional mas também a CLT e o salário mínimo.

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A partir de um material rico e diversificado – filmes, fotos, cartas, trechos de diário, cine-jornais -, o documentário de Eduardo Escorel analisa o funcionamento e as contradições do Estado Novo, período ditatorial do presidente Getúlio Vargas, entre 1937 e 1945.
 
Trata-se de trabalho de fôlego, que se desdobra em duas partes – 112 minutos na primeira, 114 minutos na segunda – e não economiza esforço para produzir ligações entre as diversas imagens de um dos governantes mais influentes do País, que deixou para trás de si uma herança ambígua e profunda – por isso mesmo, passível de eterna reavaliação.
 
Enfatiza-se, como é natural, a predominância do elemento autoritário, num período em que o governo brasileiro flertou decididamente com o nazismo, por conta de afinidades anticomunistas, extinguiu todos os partidos, criou a Lei de Segurança Nacional, queimou livros e prendeu escritores de esquerda, como Jorge Amado, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Ao mesmo tempo, são dessa mesma época a criação do salário mínimo, da Justiça do Trabalho e da CLT, conquistas sociais que contribuíram decididamente para a volta de Getúlio ao governo, em eleição direta em 1950, cinco anos depois de ter sido forçado à renúncia pelos militares.
 
O roteiro, de Flávia Castro (diretora do documentário Diário de uma Busca) e Escorel (35 – O assalto ao poder e O Tempo e o Lugar), percorre habilmente essa rica profusão de imagens oficiais, discursos, filmes oficiais – há poucos registros amadores ou familiares -, traçando o estabelecimento dessa estética do poder que, finalmente, conduz corações e mentes de forma que ultrapassa o meramente racional. Num tempo em que o poder midiático se afirma como nunca como arma política, mais do que nunca é preciso mergulhar em trabalhos como este documentário, que elege a racionalidade como sua ferramenta preferencial, escavando o que se esconde abaixo da superfície. 
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