O animador inglês Nick Park – da série Wallace & Groomit e A fuga das galinhas - mantém-se fiel à tradição e faz, novamente, um longa inteiro de stop motion com personagens feitos com massinha em O homem das cavernas. O resultado impressiona não apenas pela empreitada, mas também pelo roteiro bem sacado e o humor finamente britânico. O protagonista é Doug, o rapaz da pré-história que vive com sua tribo, isolada num vale.
O filme começa com o famoso (e suposto) asteroide que extinguiu os dinossauros. A pedra acaba dando origem a um “jogo sagrado” – uma versão pré-histórica do futebol. Séculos depois dessa abertura, somos apresentados a Doug e sua tribo, que insiste em viver de caça ao coelho – mesmo quando alguém sugere um animal maior cuja carne pode durar mais. Isso também serve como uma bela desculpa para um coelho fofo e engraçado aparecer em cena de vez em quando.
Acontece que a tribo da Idade da Pedra viveu isolada numa cratera, sem saber que o mundo ao redor evoluiu – bem, não muito, mas evoluiu mais do que eles, chegando à Idade do Bronze. A saída forçada de Doug de seu vale para a “cidade” também é motivo de tiradas cômicas, descobrindo as novidades possíveis com o manejo do metal.
Uma das novidades é também a evolução do futebol, que se tornou sagrado e uma espécie de guerra pela disputa de terras e bens. Lord Nooth vê uma possibilidade lucrativa no vale de Doug e sua tribo. Para continuarem donos do local, terão de vencer uma partida de futebol contra o melhor time do mundo. A ajuda pode vir de uma garota escandinava, apaixonada por futebol.
Pode se dizer que a trama caminha para o final inevitável e previsível, mas isso é o de menos, o importante é o caminho, ou melhor, o jogo, o filme. Park e sua equipe enchem a tela de cores e formas, com figuras e objetos impressionantemente detalhados, além de piadas – muitas envolvendo o “jogo no sagrado”. O público brasileiro, com sua tradição futebolística, pode compreender um comentário de um personagem quando um jogador se atira no chão: “Forçando um pênalti! Típico!”. Essas situações repercutem, certamente, muito mais aqui do que, digamos, nos Estados Unidos.
