A premissa de Um lugar silencioso é intrigante – mas pouco explicada no filme. Numa Terra assolada por um ataque alienígena, uma família precisa sobreviver isolada em sua casa, num ambiente rural. Acontece que as criaturas – que devoram humanos – percebem as pessoas pelo som. Por isso, ninguém pode fazer barulho algum.
John Krasinski é um diretor que não parece confiar muito no poder da sugestão. Por isso, em seu filme, ele sentre necessidade de ser explícito quase o tempo todo, pois, na sua lógica, isso cria tensão. Com roteiro escrito por ele e Scott Beck e Bryan Woods, Kransinski também protagoniza o longa ao lado de sua mulher, Emily Blunt.
Ao lado dos três filhos pequenos, o casal Lee e Evelyn tenta sobreviver. A primeira sequência – até a aparição de um dos monstros – é promissora: a família toda está numa loja pegando mantimentos e remédios. A comunicação é feita apenas pela troca de olhares e alguma linguagem de sinais.
Algo bem assustador acontece e o filme avança em mais de um ano, quando Evelyn está grávida, e a sobrevivência da família se complica. Há todo um esquema de proteção, envolvendo luzes e outros aparatos, mas, em alguns momentos, o som é incontrolável – o barulho, o grito apenas escapa.
O filme explica muito e, ainda assim, não explica tudo. De onde vêm essas criaturas e o que querem? Que fim levaram os animais? Já foram todos devorados? E os outros humanos? Os membros dessa família são os únicos sobreviventes? Por que o barulho da natureza não desperta os alienígenas? Há um estratagema que resolverá todo o filme, e Um lugar silencioso se limita a revelar ao público, mas não aos personagens. Até que eles descubram (se é que irão descobrir) como se salvar, o filme é uma montanha-russa de sustos baratos.
Como na maior parte das histórias sobre apocalipse – seja em A Estrada ou Guerra mundial Z –, a estrutura familiar é o que permanece. Por família, entenda-se caucasiana, burguesa, formada por um casal heterossexual e filhos. Um lugar silencioso não desvia do padrão e, pelo caminho, coloca em cena todos os clichês envolvendo esse tipo de narrativa e esse tipo de personagens: sacrifícios, provas de amor, redenção estreitando os laços.
É bem verdade que Kransinski constrói momentos de tensão – seja na gravidez de Evelyn ou na ponta de um prego em pé na escada. Mas, novamente, tudo soa levemente gratuito para forçar no suspense e fazer o público pular da poltrona. Mais interessante, mas um tanto implausível, é o esquema que o casal criou para realizar o parto que, inevitavelmente, acontecerá no clímax.
Um lugar silencioso é um filme de sustos, eficiente nesse sentido. Tem um quê de M. Night Shyamalan sem frustrar no final, mas não vai além disso. O resultado é competente desde que não tente se passar por algo mais sofisticado do filme B que é.
