04/06/2026
Drama

Réquiem para Sra. J

A Sra J está deprimida desde a morte do marido, e planeja se matar quando completar um ano da morte do finado. Porém, antes disso, quer deixar as pendências resolvidas. Mas a constante burocracia de seu país só dificulta sua tarefa.

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Tudo na vida da Sra J (Mirjana Karanovic, de Em segredo) é pálido – tanto que o filme sobre sua vida e vontade de se matar, Réquiem para Sra J, assume uma paleta de cores pálidas, com fotografia assinada por Jelena Stankovic. A protagonista do longa, escrito e dirigido por Bojan Vuletic, está deprimida desde a morte do marido, há cerca de um ano.
 
Ela perdeu o desejo de viver, e pouco sai do apartamento, onde aguenta a mãe idosa e as filhas briguentas. Quando sai, enfrenta os flertes exagerados e grosseiros de um vendedor. Casa vez mais deprimida, a protagonista quer se matar na data de um ano da morte do marido. Mas nem tudo é tão simples, pois antes de cometer o ato, para o qual já comprou uma arma, precisa deixar acertadas algumas pendências burocráticas – como atualizar seu cartão de saúde, cancelar o seguro e colocar seu nome na lápide ao lado do nome do falecido.
 
Os dias finais da Sra J são consumidos por uma burocracia enervante, mas ao mesmo tempo novos caminhos e novas possibilidades parecem se abrir para ela. É a grande ironia do filme que, ao se preparar para  morte, a personagem se depare com a vida. Com isso em mente, Vuletic constrói o filme como uma comédia melancólica kafkiana, um pesadelo burocrático de um país incapaz de acordar de um sono profundo coberto de papelada e mais papelada inútil.
 
Como alegoria sobre a Sérvia, Réquiem para a Sra J é a investigação de um país preso num limbo entre o passado e o futuro, sem conseguir se livrar inteiramente de um para seguir rumo ao outro. Nesse sentido, Vuletic expõe como feridas políticas, sociais e históricas que continuam abertas encontram reverberação num plano pessoal, expandindo a comunicação de seu longa para além das fronteiras balcânicas. 
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