03/06/2026
Documentário

O Renascimento do Parto - 2

Os altos índices de cesariana no Brasil levam ao filme a investigar essa prática, contando com depoimentos de mães, médicos e especialistas, além de trazer soluções alternativas já aplicadas em Belo Horizonte e na Inglaterra.

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Em O renascimento do parto 2, o documentaristas Eduardo Chauvet retoma o tema de seu bem sucedido filme de 2013, sobre o assunto. A situação continua alarmante, com o alto número de cesarianas no país, conforme explica o longa. Depoimentos de mães e profissionais expõem a situação de abuso médico e hospitalar.
 
Por meio de histórias de diversas entrevistadas, relatando suas experiências no parto, o filme compõe um painel da situação. As desculpas para justificar as cesarianas vão desde a miopia da mãe (cujo esforço num parto normal causaria um descolamento de retina) até o pé do bebê estar preso na costela da mãe. Ao mesmo tempo, o documentário mostra partos naturais bem sucedidos. Chauvet e suas entrevistadas e entrevistados não negam que existam situações nas quais o parto normal não é possível, mas, ao mesmo tempo, questiona essa o elevado número dessa prática.
 
A contraposição a isso está no hospital público Sofia Feldman, em Belo Horizonte, que, conforme diz um entrevistado, é um modelo contra-hegemônico, que permite que a gestante escolha a forma de parto que prefere. O filme também investiga o sistema de saúde inglês que privilegia os partos mais humanizados, e serve como modelo para essa instituição brasileira.
 
A questão toda, como não poderia deixar de ser, acaba se encaminhando para a violência de gênero. É nesse momento que o filme vai além de uma série de relatos pessoais, e investiga algo mais profundo, estrutural, no Brasil (e em diversos países). “Coletivamente, o que vai salvar a gente são as políticas públicas, e a invasão em massa das mulheres nesses lugares onde se fazem as políticas públicas, que, hoje, são dominados por homens”, diz certeiramente uma das entrevistadas. Nesse sentido, O renascimento do parto 2 pode ser uma fagulha de uma bem-vinda revolução.
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