Ao final de Não se aceitam devoluções, é de se perguntar se o mundo realmente precisa de uma nova versão da comédia mexicana Não aceitamos devoluções (2013) – que também já conta com um remake francês, Uma família de dois (2017). A versão brasileira, além de manter-se extrema e irritantemente fiel ao original, é a mais fraca, contando com o protagonista menos carismático – interpretado por Leandro Hassum.
Juca Valente é um galanteador que vive numa praia no litoral paulista, até que uma antiga namorada americana (Laura Ramos) bate em sua porta com uma bebê, dizendo que é filha dele. Ela abandona a garota e foge. Tentando encontrá-la, o protagonista vai para os EUA. Mas se afeiçoa pela menina, consegue um emprego como dublê, os anos passam, ele fica rico, e dá uma boa vida para Emma (agora interpretada por Manuela Kfouri).
Logo de cara, um dos problemas do filme é a falta de química entre a dupla central. Por mais esforçada que Manuela seja, sua personagem não passa de uma escada para Juca, para situações cômicas e outras forçosamente dramáticas. O filme, infelizmente, não é sobre ela. Talvez a versão brasileira tivesse um ganho, se contasse a história do ponto de vista da menina, mas não é o caso.
A trama avança até o retorno da mãe, que pretende recuperar o tempo perdido. Nesse ponto, Não se aceitam devoluções, dirigido por André Moraes, torna-se um drama de disputa familiar enfadonho e lacrimoso, caminhando para um final exageradamente meloso. Não funciona como comédia, porque não é engraçado, nem como drama, porque é escancaradamente forçado para querer fazer chorar. Um pouco de sutileza também viria a calhar.
