A vida de um rio, o Paraíba do Sul, tem um impacto enorme ao longo dos 1.150 km que ele atravessa, entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A partir de suas nascentes, na Serra do Mar, este rio que funde dois outros – Paraitinga e Paraibuna – interfere em inúmeras atividades humanas e econômicas, incorporando história, cultura, trabalho, meio ambiente.
No documentário, lindamente filmado e dirigido pelo experiente Bebeto Abrantes (diretor do premiado Recife/Sevilha – João Cabral de Melo Neto), todas essas dinâmicas alimentadas pelas águas do Paraíba do Sul são ilustradas com imagens in loco e conversas com ribeirinhos e pessoas cujas vidas são afetadas pela companhia e os humores das águas, que sofreram interferências de barragens e os efeitos da poluição.
Uma característica essencial no filme é a maneira como articula os diversos discursos – de pescadores, de um fundidor de gesso, um areeiro e outros – de maneira fluida, não-didática, consolidando um olhar para o rio que contempla a sua multiplicidade, sua existência como um ente em constante transformação. Dessa maneira, o documentário consegue enfocar temas que vão do abastecimento de água às culturas do café e do açúcar, do assoreamento à renovação ambiental, de maneira consistente e esteticamente bem-resolvida. É um filme para seguir com os olhos, o coração e a cabeça.
