Inaugurada em 1854, a primeira ferrovia do Brasil, a Barão de Mauá, no Rio, hoje se resume a poucos vestígios. O mesmo destino, ou ainda pior, tiveram inúmeras outras ferrovias ao longo de um país como o nosso que, pela extensão e topografia, parecia destinado a fazer desse meio de transporte o seu principal.
Esta ascensão e queda das ferrovias, que ocupam, apesar de tudo, um lugar privilegiado na vida e até no imaginário de diversas regiões, estão no centro do documentário Estrada de sonhos, de Pedro von Krüger. Através de imagens de grande beleza, o diretor percorre vários locais e encontra personagens variados, capazes de dar conta do lugar que ocupam os trens em sua história particular – como um pai e uma filha, maquinistas, que sonham com um renascimento possível da expansão dos dormentes pelo País.
Mas as paisagens que a câmera de Krüger e outro de seus personagens, um fotógrafo, encontram, não dão sustentação a essa ideia. Pelo contrário. Na maior parte dos locais, o que se vê é o abandono de linhas e estações, que guardam a memória de tempos em que a ferrovia ocupou um espaço mais privilegiado. O que permite, também, especular sobre o acerto da opção preferencial pelo transporte rodoviário e a dependência do petróleo nos tempos que correm.
