19/07/2026
Comédia

A Enfermeira Betty

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A garçonete Betty Sizemore (Renée Zellweger, de O Diário de Bridget Jones), após testemunhar o brutal assassinato do marido, acredita estar vivendo no seriado de TV Uma Razão para Amar. Assim, viaja até Hollywood para encontrar o ator que interpreta o médico do programa, David Ravell (Greg Kinnear), que pensa ser seu noivo. Durante a viagem, é perseguida pelos traficantes que mataram seu marido, o pistoleiro Charlie (numa excelente atuação de Morgan Freeman) e o jovem Wesley (Chris Rock).

Aparentemente inspirado em A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen, A Enfermeira Betty, de Neil LaBute, externa o poder alienante da televisão, através de uma espécie de metalinguagem, que coloca o espectador na mesma condição do protagonista da história. Através de um roteiro bem amarrado, o filme parece sabotar a si próprio com diálogos marcados por clichês manjados, com o intuito de reproduzir o clima do seriado. Em uma das cenas, Charlie, ao descobrir o filho morto, não se desespera, mas vomita para Betty um discurso ao melhor estilo novelão-mexicano, do tipo acredite em você mesma, você não precisa de ninguém para guiar seu caminho.

Na melhor cena do filme, Betty acaba conhecendo em uma festa o ator que interpreta o Dr. David. O fato de a moça lembrar de tudo o que se refere ao personagem impressiona tanto o ator quanto a produtora e roteirista do programa. Ambos aceitam que Betty está representando um papel para provar seu talento como atriz. É a partir daí que o filme se encaminha para que a garçonete tome consciência de sua condição de espectadora, mas isso só acontece quando ela passa para o outro lado da tela.

Prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes, e merecidíssimo Globo de Ouro de melhor atriz para Renée Zellweger, A Enfermeira Betty contrasta o violento mundo real com uma realidade fictícia, muito mais tenra e inocente. É essa ingenuidade que, de maneira quase infantil, é responsável pela inserção de Betty no fantasioso mundo da televisão. LaBute conseguiu criar um filme lúdico, delicado e humano, sobre a arte da manipulação na televisão e no cinema.

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