04/06/2026
Drama

Café

Um casal de jovens italianos migra para Triste em busca de uma vida melhor, e ele se envolve no roubo de grãos raros e caros de café. A loja imigrante árabe, que mora na Bélgica, é saqueada, e um bule valioso roubado. Ele resolve fazer justiça com as próprias mãos. Na China, um jovem executivo repensa a sua vida ao se dar conta de que a corporação onde trabalha está destruindo o meio ambiente.

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Aparentemente o diretor italiano Cristiano Bortone mirou em Babel e acertou em Crash: No limite, em Café, um drama globetrotter tendo a famosa bebida como mediadora das relações e das histórias. A verdade é que o café é um mero pretexto aqui, e poderia muito bem ser substituído por chá, uísque ou qualquer outra coisa. O longa é o primeiro fruto de um acordo de coprodução assinado pela Itália e China, em 2014, e, por isso, tem cenas nos dois países.
 
Café aspira a ser um retrato do mundo globalizado na era do capitalismo financeiro. A ambição é grande, mas os resultado frustrante, por conta de personagens e situações superficiais. Gaia (Miriam Dalmazo) e Renzo (Dario Aita) são um casal de jovens italianos que saem de Roma para Trieste onde esperam uma vida melhor, pois ela está grávida. O rapaz é especialista em café, mas arruma um trabalho braçal. Com outros colegas de trabalho, planeja o roubo de grãos de café Civeta, raros e caros.
 
Na Antuérpia, Hamad (Hichem Yacoubi) tem uma loja da antiguidades, e uma de suas peças mais queridas – que está apenas para exibição, e não será vendida – é um bule que está em sua família há diversas gerações. Quando, durante um protesto, o local é saqueado e o objeto, roubado, ele consegue localizar o ladrão e resolve fazer justiça por si mesmo, e acaba frente a frente com Vincent (Arne De Tremerie) e seu pai racista (Koen De Bouw). O encontro deles toma proporções violentas, e o diretor pretende com esses personagens investigar o estado de tensão na Europa por conta das imigrações.
 
A terceira história se passa na China, onde um jovem executivo (Lu Fang Sheng) da indústria do café está prestes a se casar com a filha do chefe (Li Yimo). Mas antes de se resolver, acaba sendo mandado a um pequeno vilarejo resolver um problema numa das instalações da empresa. É lá que conhece uma artista excêntrica (Tan Zhuo), que pinta usando café, e tem um projeto de expandir a pequena fazenda de café orgânico de seu falecido pai. Ao encontrá-la, o rapaz passa a se questionar sobre seus valores no mundo corporativo.
 
As histórias nunca se encontram diretamente – alguns detalhes apenas fazem eventuais conexões – mas é no tom e nas mensagens que o diretor busca a simetria. Tecnicamente, Café é competente, mas fora isso não oferece muitos atrativos. Seus personagens não conseguem escapar dos clichês, especialmente quando têm suas epifanias no clímax do longa. O resultado está mais para um café fraco e requentado do que algo encorpado e fresco. 
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