Em seu segundo filme, o ex-mordomo Crô (Marcelo Serrado) prova que realmente ele é uma criação para a televisão e o cinema não é seu lar. De ponta a ponta, o longa dirigido por Cininha de Paula aparenta ser o piloto de uma sitcom fraca, que dependeria muito do esforço de seu elenco e roteiristas para não ser cancelada antes do final da temporada. De qualquer forma, o primeiro filme (de 2013) fez sucesso, o que explica a sequência e sua cara de televisivo, mantendo-se fiel às origens do personagem.
Com um roteiro assinado por seis profissionais – entre eles, Agnaldo Silva, criador do protagonista, apresentado na novela Fina estampa –, o filme tem uma história frágil e batida. Uma família desconhecida se aproxima de um suposto parente rico para reclamar a retomada dos laços. Capitaneada pela matriarca (Arlete Salles), a família de Crô bate em sua porta, num momento em que ele está carente, por isso, acaba hospedando-os em sua casa. Por conta de uma marca de nascença, ele acredita que realmente são seus parentes, embora sua governanta (Rosi Campos) e sua amiga e secretária, Geni (Jefferson Schroeder, curiosamente muito bem aqui, apesar de seu entorno), insistam num teste de DNA.
Esse mote serve como desculpa para uma série de tentativas de piadas envolvendo uma visão distorcida da pobreza e dos pobres. Na verdade, são olhares típicos de televisão, perpetuados por telenovelas e humorísticos, nos quais as classes mais baixas não apenas não sabem como se comportar à mesa, mas precisam comer espaguete de maneira exageradamente grotesca, porque, em algum momento, alguém acreditou que isso é motivo de humor. Nem é. http://slots33.com
Em suas escolhas, a diretora Cininha de Paula, que tem vasta carreira na televisão e estreou no cinema no ano passado com Duas de mim, outro filme que parece um enlatado de TV, não prima por um humor sutil. As situações são exageradas até se tornarem constrangedoras. Como quando Crô recebe em sua casa uma socialite (Liège Monteiro) e seu marido (Luís Fernando Coutinho), a família do protagonista, que conta também, entre outros, com o pai (Tonico Pereira) e o irmão bronco (João Baldasserini), que praticamente espanca o rapaz para evitar que seja picado por insetos.
Crô em família poderia ser uma comédia inspirada nos exemplares mais antigos do gênero, algo de certa ingenuidade e humor mais físico – evidente que ninguém entra num filme desses esperando um texto primoroso com diálogos sofisticados, mas também não precisava jogar a toalha tão facilmente e entregar os pontos para ser tão ruim e destituído de humor.
