Diretor de uma série de bem-sucedidos filmes de terror – Jogos Mortais (2004), Sobrenatural (2010 e 2013) e Invocação do Mal (2013 e 2016), James Wan entra no território dos super-heróis de quadrinhos com a aventura Aquaman – em que explora a multiplicação de efeitos especiais numa avalanche de guerras entre o mar e a terra.
Adrenalina não falta ao filme, que se estende por 2 horas e 23 minutos para desdobrar a saga de um rei-heroi a contragosto: Arthur (Jason Momoa), o resultado de um improvável romance entre um humano, o faroleiro Tom (Temuera Morrison), e a fugitiva rainha do reino submarino de Atlantis, Atlanna (Nicole Kidman).
A saga é temperada por esta ligação impossível e as obrigações maternas de Atlanna, que finalmente a conduzem a um sacrifício. Arthur cresce cuidado pelo pai e treinado para seu inescapável destino heroico pelo misterioso Vulko (Willem Dafoe), conselheiro real de Atlantis.
Um dos atrativos da história é a relutância de Arthur em assumir seu papel como legítimo herdeiro do trono de Atlantis agora que seu irmão mais novo, Orm (Patrick Wilson), decidiu promover uma guerra do mar contra a terra. Por sua própria natureza híbrida entre os dois mundos, Arthur está fadado à missão de impedir essa destruição. O toque ecológico fica por conta da reação do povo submarino contra a poluição dos mares promovida pelos humanos.
Por todos esses detalhes, a história de um rei mestiço, não um “sangue puro” como Orm – cuja aparência física lembra o malfadado ideal nazista – cai sob medida para um mundo real que mergulha perigosamente na intolerância contra a diferença. Essa natureza híbrida de Arthur confere-lhe também uma saudável falta de pose, que é um componente essencial de seu humor. Trata-se de um herói cínico mas sem nenhuma vacilação quando se trata de coragem. O rapaz é fortão e bom de briga em qualquer dos mundos que frequenta.
A presença feminina central é da princesa Mera (Amber Heard), filha do rei Nereus (Dolph Lundgren), que se torna aliado de Orm na intenção de dominar o mundo terreno. Prometida como noiva a Orm, ela se torna parceira indispensável de seu meio-irmão Arthur na luta para recuperar o tridente que lhe garantirá o reconhecimento como rei legítimo.
Os efeitos especiais cumprem seu papel a contento na tarefa de compor este universo marinho, povoando-o de criaturas fantásticas e multiformes, além de tornar cada batalha visualmente diferente da que a precedeu. Enfim, Aquaman satisfaz como entretenimento por mais que não se afaste completamente de alguns clichês em seus arquétipos, com alguns figurinos que, inevitavelmente, lembram aos brasileiros destaques de escola de samba.
