04/06/2026
Drama Romance

Intimidade entre estranhos

Maria se muda de São Paulo para o Rio, onde pretende ficar mais perto do namorado, que é ator. Ele porém, cada vez mais famoso, acaba se afastando dela, que se envolve com o vizinho, um rapaz mais novo.

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Intimidade entre estranhos começa com uma mulher empolgada no aeroporto deixando um recado no celular do namorado, esperando que ele a encontre no Rio de Janeiro. Na cena seguinte, já na cidade, ela espera um táxi chorando. As cenas dão ideia de que Maria (Rafaela Mandelli) seja uma mulher frágil e insegura, que chora por qualquer coisa. Com o tempo, no entanto, o filme desfaz esse equívoco e joga outra luz na personagem.  
 
Maria é, a princípio, uma figura interessante. Carioca morando em São Paulo, muda-se para o Rio para acompanhar o namorado, Pedro (Milhem Cortaz), que é ator numa novela bíblica portuguesa. Sem conhecidos na cidade, ela passa boa parte do tempo no apartamento que alugaram num prédio onde, descobrirá depois, mora apenas uma pessoa, Horácio (Gabriel Contente), um rapaz solitário que vive fechado em seu apartamento.

Horácio é uma figura típica dos filmes do aqui roteirista Matheus Souza – como Tamo junto e Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida. Um jovem adulto infantilizado, vivendo confortavelmente em uma bolha nerd. Não seria um problema, a priori, se esse personagem crescesse em algum momento – nem que fosse à força – mas não é o que acontece. O que temos são duas horas de um adulto infantilizado.

Embora o esforço de Contente seja visível para tornar Horácio mais palatável, é pouco crível que uma mulher tão madura – especialmente por conta de algumas circunstâncias que a vida a obrigou a enfrentar – iria se envolver com um rapaz assim. À medida que Pedro se torna mais famoso, ele e Maria se afastam e ela encontra consolo no vizinho, por quem nutria uma antipatia (mútua, diga-se de passagem), no começo do filme.
 
Horácio e Maria parecem dois personagens apartados da realidade, cuja trajetória e perfil só existem em função de simplificações para a trama. Ele, por exemplo, vive dos alugueis de diversos apartamentos sua avó lhe deixou. Isso facilita sua vida, pois não precisa trabalhar, ou sequer sair de casa. Ela, por sua vez, carrega feridas do passado que servem para aproximá-la do rapaz – já que algumas delas os dois têm em comum.
 
Intimidade entre estranhos resulta num filme higienizado demais, no qual as pessoas fazem sexo loucamente na escada do prédio e nem suam, ou sequer se despenteiam. É tudo convenientemente arrumadinho demais, como numa telenovela. 
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