Por onde passam, seus corpos interagem com a paisagem: mergulhos em lagos, caminhadas por estradas de terra, descanso em campos floridos - locais onde se relacionam sexualmente, numa atmosfera idílica, envolvente e altamente erótica. A cada parada, um momento de contemplação e prazer, com direito à leitura de trechos do roteiro que será - ou está - filmado. O filme visto é a representação do que pretendem realizar, assumidamente pornográfico.
As experiências com os poucos homens que encontram no caminho não são nada agradáveis, mas servem para fortalecer os laços que as juntaram e as unem. São ocasiões em que demonstram sua força e fazem valer sua opinião.
A forma catártica e anárquica em que o filme é conduzido é sua força, mas também sua fragilidade. A duração se faz sentir, com as cenas de sexo filmadas em tempo quase real, de forma exaustiva, com as personagens falando de si para si mesmas. Mas não deixa de ser uma forma instigante de questionar, com o olhar feminino e feminista, as fronteiras que demarcam o terreno onde termina o erotismo e começa a pornografia, ignorando um habitual e confortável território masculino.
