Esqueça os dois longas protagonizados por Ron Perlman, como Hellboy, e dirigidos pelo mexicano Guillermo del Toro, e lançados em 2004 e 2008. Ou melhor, não os esqueça, e fique apenas com eles, deixando de lado essa tentativa de iniciar uma nova franquia – provavelmente natimorta – sob o comando insosso de Neil Marshall.
David Harbour assume o personagem-título. A diferença entre as encarnações do protagonista não está apenas no porte dos atores (Perlman parece ter nascido pro papel), mas no que os produtores esperavam de cada obra. Os filmes de del Toro deram bastante lucro, mas tinham comprometimento com o material original de Mike Mignola. Aqui, os produtores parecem apenas querer pegar carona na onda de filmes de heróis que tem garantido ganhos estratosféricos – mas não para eles, aparentemente, dado o fiasco das bilheterias desse novo Hellboy nos EUA.
O ritmo frenético repleto de sangue pouco ajuda, e a trama mal desenvolvida envolve uma rainha das trevas, chamada Nimue (Milla Jovovich), que, depois de morta, foi cortada em pedaços pelo Reio Arthur e sua Excalibur, e enterrada em lugares diferentes. Uma espécie de javali dos infernos, no entanto, consegue juntar os pedaços.
Quando ela volta, tenta seduzir Hellboy a juntar forças com ela, para juntos dominarem o mundo. Seguem cenas de batalhas, vários monstros e muito sangue, mas nada propriamente convincente, seja no campo dos efeitos visuais, seja na narrativa. Hellboy tem também uma ajudante, Alice (Sasha Lane) cuja função parece se limitar a vomitar espectros.
O personagem, como já provaram os outros filmes, tem potencial, é divertido, tem um certo carisma com seu modo infernal. Nada disso é bem aproveitado aqui. Hellboy merecia mais – ou talvez seria melhor mesmo é ficar lá quieto, nos filmes de del Toro que merecem ser vistos e revistos.
