Temas tão difíceis de serem abordados do lado de baixo da linha do Equador, como a descriminalização do aborto e das drogas e o casamento de pessoas do mesmo sexo - dada a agenda no mínimo conservadora nos costumes, que o diga o Brasil - acabaram sendo discutidos de forma aberta e aprovados em um país também dividido.
Apesar de essas políticas terem sido implementadas no governo de Mujica, o filme não é sobre o ex-presidente. Ele passa, até, a ficar em segundo plano, para dar voz a políticos, militantes de direitos humanos, pesquisadores e pessoas comuns, que explicam como foi possível se chegar a um consenso sobre temas tão polêmicos.
Também entram nas discussões assuntos como o racismo, presente na sociedade uruguaia, mas que é enfrentado cotidianamente, dando visibilidade a pessoas que antes não tinham protagonismo. Nesse sentido é rica a discussão em torno do candombe, ritmo africano tocado com tambores, que faz parte da cultura uruguaia desde a época da escravidão, e que foi reprimida durante a ditadura militar.
A sociedade uruguaia se abre para enfrentar seus problemas e o filme mostra como o governo de Pepe Mujica atuou para diagnosticá-los e propor soluções. E como essa política abriu os olhos do mundo para esse país que acreditava ser a Suíça das Américas, mas acabou encontrando suas ricas raízes africanas.
