Em Branca Como a Neve, a diretora francesa Anne Fontaine tenta trazer uma virada feminista à surrada história da Branca de Neve. Mas o maniqueísmo e a narrativa arrastada impedem que o filme chegue aonde a cineasta parece querer levá-lo, resultando em algo repleto de boas intenções, mas um tanto equivocado.
Claire (a estrela em ascensão Lou de Laâge) vive no hotel, onde trabalha, enquanto sua madrasta Maud administra o lugar. A relação entre as duas não é tensa, mas também não é de amizade – elas se toleram. Até que Maud descobre que seu amante (Charles Berling), manda mensagens românticas e patéticas para a enteada, que não lhe corresponde nessa paixonite tola. Ainda assim, a mulher quer se livrar da garota, mas nada sai como esperado. Claire escapa de uma armadilha mortal e é encontrada por um lenhador, Pierre (Damien Bonnard), que a leva para sua casa na floresta.
Lá também vivem seu irmão gêmeo (também Bonnard) e um violinista hipocondríaco (Vincent Macaigne, fazendo uma versão dos papéis que fez nos últimos tempos). Os célebres anões, aqui, se transformaram em homens de altura comum, todos desejosos de Claire. A lista é completada com o dono de uma livraria (Benoît Poelvoorde) e seu filho tímido (Pablo Pauly), um veterinário (Jonathan Cohen), e o padre local (Richard Fréchette).
Lá também vivem seu irmão gêmeo (também Bonnard) e um violinista hipocondríaco (Vincent Macaigne, fazendo uma versão dos papéis que fez nos últimos tempos). Os célebres anões, aqui, se transformaram em homens de altura comum, todos desejosos de Claire. A lista é completada com o dono de uma livraria (Benoît Poelvoorde) e seu filho tímido (Pablo Pauly), um veterinário (Jonathan Cohen), e o padre local (Richard Fréchette).
O feminismo dessa leitura de Branca de Neve está especialmente na liberdade de Claire em escolher por quem ela vai – ou não vai – se deixar seduzir. A beleza, bem sabe o filme e, conforme a personagem descobre, é poderosa, e a protagonista pode e deve usá-la a seu favor.
Cabe a Huppert se divertir – mais do que o público – como a madrasta má, sempre com um batom encarnado nos lábios e um vape nos dedos substituindo um cigarro comum. Se a personagem sente inveja da beleza da enteada, a atriz devora Laâge em cada cena que as duas dividem. A jovem intérprete de Claire não tem a força para encarar sua colega à altura, e as cenas entre elas acabam irregulares, não apenas por conta das atuações, mas também pelo roteiro confuso, assinado pela diretora, Claire Barré e Pascal Bonitzer.
