04/06/2026
Terror Drama

O clube dos canibais

Tavinho e Gilda fazem parte da elite. Ricos, frequentam as melhores festas e fazem conchavos com políticos. Em sua casa, praticam canibalismo, matando e comendo seus empregados.

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O clube dos canibais é uma crítica que expõe – de maneira alegórica – o que há de mais execrável na elite brasileira. Pode ser um filme que não traga muito de novo, mas é uma incursão muito bem resolvida no gênero gore no cinema brasileiro. Isso se deve, em boa parte, à direção bastante segura de Guto Parente, que também assina o roteiro, inspirado no caso real conhecido como "Crimes da Rua do Arvoredo", que aconteceu em Porto Alegre, em meados do século XIX.
 
Aqui, os protagonistas são um empresário, Otavio (Tavinho Teixeira) e sua mulher, Gilda (Ana Luiza Rios), que, decididamente, não veio ao mundo a trabalho. Logo numa das primeiras cenas do filme, ela seduz o caseiro e enquanto está na cama com ele, o marido o mata. Pouco depois, estão literalmente jantando um churrasco feito a partir do corpo. Assim, logo de cara, o filme deixa claro a que veio, tira da frente a ansiedade do gore e pode seguir com sua crítica social.
 
O retrato dessa elite do Nordeste – mas poderia ser de qualquer canto do país – inclui um político hipócrita, Borges (Pedro Domingues), que na frente dos amigos e eleitores prega os bons costumes e defende as pessoas de bem contra, nas suas palavras, “a pederastia”, mas que mantém um caso, às escondidas, com o segurança de Tavinho.
 
O filme é, muitas vezes, óbvio em sua exposição de classe, mas nem por isso deixa de ser instigante. O que se vê na tela transita entre a repulsa e o fascínio. E causa mais repulsa o tratamento que a elite dispensa aos seus empregados – quase sempre negros e sempre pobres – do que o sangue jorrando. Parente coloca em cena os extremos e não está atrás de nenhuma sutileza na construção dos personagens. É, além de tudo, uma sátira social, com um senso de humor, um tanto bizarro, mas presente.
 
Otávio e Gilda, no entanto, não são os únicos canibais aqui. Ele participa de um clube, formado apenas por homens, que se reúne para ver casais fazendo sexo, sendo executados, assados e servidos como jantar. Essa incursão do filme, no entanto, não é tão orgânica no roteiro como o casal principal. O clube, que dá título ao longa, parece mais coadjuvante do que o ponto central aqui, servindo mais para explicar as relações do protagonista com Borges do que outra coisa
 
O elenco, por sua vez, compreende bem que está trabalhando num filme cuja chave beira – e muitas vezes abraça – a caricatura de tipos sociais: o empresário mau caráter, sua mulher dondoca e bonita, o político corrupto. Parente, como já mostrou em outras obras – como o recente Inferninho, codirigido por Pedro Diógenes – sabe muito bem criar tipos humanos facilmente identificáveis e eficientes em seu propósito na trama.
 
 
 
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