Estreia na ficção do diretor Alejandro Andújar, O homem que cuida aborda a história de Juan (Héctor Aníbal), caseiro de uma rica casa de praia que é confrontado com uma série de problemas pessoais e profissionais, quando o filho do patrão traz para a casa alguns amigo, deflagrando uma jornada em que tudo sai de controle. .
Juan está numa encruzilhada. Deixou a pesca para tornar-se caseiro para ganhar mais dinheiro para manter sua família. Mas sua mulher (Fiora Cruz) apaixonou-se por outro homem, engravidou dele, e Juan tornou-se mais amargurado do que nunca. Ele se afunda no trabalho, tomando conta da casa dos patrões com a ferocidade de um cão de guarda, espantando os visitantes ocasionais até do pier externo.
A jornada em que o filho do patrão, Rich (Yasser Michelén), chega acompanhado do amigo cubano, Alex (Héctor |Medina), e de uma garota do povoado, Karen (Julieta Rodríguez), coloca em foco as relações sociais na República Dominicana, como outros países latino-americanos, profundamente impregnadas de vícios coloniais, como desigualdade, racismo e machismo.
Fiel como é ao patrão, que chama de don Victor (Archie López), Juan fica contrariado quando Rich exige que não avise o pai de sua estadia na casa. A partir daí, todo aquele mundo artificial, que Juan armou solidamente, para ter uma bolha de segurança, começa a ruir, escorado que está num jogo de aparências que não resiste ao menor teste de realidade. A ambiguidade contamina seu relacionamento com Rich, que oscila entre uma confiança que o filho do patrão faz parecer amizade quando lhe interessa para depois retomar as rédeas senhoriais, voltando a impor um distanciamento que reponha cada um no lugar que lhe foi sempre destinado.
Alex, o amigo cubano, encarna a transgressão e a irresponsabilidade que guiam o comportamento destes jovens nascidos na aristocracia que nunca têm que encarar as consequências do que fazem. Quando alguma coisa dá errado, sempre se pode ligar para o papai.
As tensões aumentam com a presença de Karen, moça pobre do povoado que pensa que sua aproximação com estes garotos lhe garante o apagamento de sua origem, e Belissa (Paula Ferry), vizinha de Rich e sua amiga de adolescência. A atmosfera sexualizada acelera as contradições e os acontecimentos.
Sem ter ainda uma mão sempre segura na condução de sua história, o diretor consegue extrair algumas notas de comentário social que valem o filme, que foi exibido no Cine Ceará 2017 e só agora chega aos cinemas no Brasil.
