02/09/2026
Suspense

O enigma da rosa

Quando a filha caçula de um casal é raptada, o sequestrador aparece na casa dos pais e tem apenas uma exigência: jogar um jogo no qual eles confessem uma coisa horrível que cometeram.

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O suspense espanhol O enigma da rosa é um filme calcado no sensacionalismo mais barato possível, alinhado com o que pode haver de mais retrógrado em termos de justiça: olho por olho, dente por dente. Escrito e dirigido por Josué Ramos, busca o que pode haver de mais primitivo em seu público para lhe conceder um prazer perverso e cínico.
 
Tudo começa com o sequestro da pequena Sara (Patricia Olmedo). A mãe esquece de buscar a menina na escola, - ela deveria vir de ônibus, mas há uma greve e ninguém se dá conta disso. Quando Julia (Elisabet Gelabert) se lembra da filha, é tarde demais, a garota já foi sequestrada. Segue, então, o que é de praxe: polícia, choro, acusações de negligência e afins. Não muito depois, a família recebe um bilhete: eles terão uma visita, e este homem quer conversar sobre o rapto.
 
Chega à casa da família um homem de preto (Ramiro Blas) que propõe um jogo: eles deverão, até às 6 da manhã, dizer a verdade sobre algo que fizeram e prejudicou alguém. Se confessarem o crime diante da família, a menina será libertada. O pai (Pedro Casablanc) é o primeiro. O filme seguirá uma rotina de humilhações, violência e eventual sangue em prol de uma justiça com as próprias mãos.
 
Glorificar a violência como saída para os males da sociedade, como faz o diretor e roteirista, é de um cinismo sem tamanho. Obviamente, há algo para além do sequestro, que, ao final, deverá revelar um significado profundo. Embora, sem um décimo da potência de Coringa, O enigma da rosa está mais ou menos alinhado com a visão de mundo individualista e perigosamente pragmática do filme protagonizado pelo principal inimigo do Batman – o que, infelizmente não deixa de fazer sentido, dado o estado do mundo. 
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