Este primeiro filme de Alvaro Delgado-Aparicio é um estudo delicado sobre as dores do amadurecimento de um adolescente numa região montanhosa e isolada do Peru. Ele é Segundo (Junior Bejar) filho de um artista de retábulos (Amiel Cayo).
O menino pensa em abandonar a região, ir tentar a vida em outro lugar em alguma plantação, mas sua mãe (Magaly Solier) adverte: “Você, como seu pai, é um artista.” Segundo tem profunda admiração pelo pai, até o dia em que presencia algo que não compreende direito e sua vida sai do eixo.
Na região onde mora, retábulos são como retratos para as famílias ricas. Todos se reúnem e, ao invés de uma foto, posam para o artista, que fará pequenas esculturas das pessoas, que são colocadas numa caixa de madeira decorada. As cores vibrantes, típicas da cultura peruana, acrescentam uma nova camada estética ao filme.
Mas esse é também o retrato de uma intolerância, do doloroso processo no qual Segundo deixa de ser adolescente e se torna adulto. Delgado Aparicio constrói a narrativa sem pressa, o que não quer dizer que seu filme seja lento, apenas que precisa de um tempo próprio para que as coisas aconteçam – talvez um tempo parecido com o da região onde vivem os personagens
