04/06/2026
Documentário

Diz a ela que me viu chorar

Entre 2016 e 2017, a prefeitura de S. Paulo coloca em prática o projeto Braços Abertos, que tenta uma abordagem mais humana no tratamento de dependentes de crack. O filme retrata alguns dos beneficiados naquele período.

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Grande vencedor do festival Olhar de Cinema e emprestando seu título de uma conhecida música cantada por Tim Maia, Diga a Ela que me Viu Chorar, de Maíra Bühler, apresenta uma galeria de personagens atendidos por um projeto social, entre agosto de 2016 e janeiro de 2017, na cidade de São Paulo.
 
São dependentes químicos de crack que, naquela época, foram beneficiados por uma abordagem mais humana de seu problema, a operação Braços Abertos, proporcionando moradia e atendimento social e médico.
 
O documentário tem o mérito de colocar em evidência essas pessoas, que normalmente são invisíveis ou, quando focalizadas, em geral são estigmatizados, nunca tendo sua humanidade reconhecida o suficiente. Aqui, não. São tratados como gente, ouvidos em suas queixas e com seus relacionamentos afetivos postos em primeiro plano. Também fica muito claro o quanto é complicado manter essas relações diante do turbilhão emocional de todos eles. O cotidiano deste hotel, levando-se em conta a dificuldade das mediações impostas a assistentes sociais e outros atendentes, é simplesmente avassalador.
 
O filme tem sua força, sem dúvida, nesta exposição de uma situação que tornou-se ainda mais dramática quando sabemos, no final, que o projeto foi simplesmente descontinuado pela administração municipal. Durante 20 meses, 105 pessoas passaram por ali. Hoje, estão novamente nas ruas, como todas as sequelas físicas e emocionais. Isto, sim, é aterrador.
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