Duas Coroas, docudrama polonês dirigido por Michal Kondrat, é apenas um filme religioso, voltado para o público católico. É a hagiografia do padre Maximiliano Kolbe, morto pelos nazistas em Auschwitz, em 1941, e canonizado pelo papa João Paulo II, em 1982.
E é uma pena que a vida de um personagem importante na história polonesa tenha sido formatada apenas para fins de pregação religiosa. Atenderia a um público maior se recebesse tratamento laico e humanista, mesmo contando a história de um santo. Vários diretores transformaram a vida de santos e personalidades sagradas, como São Mateus e Jesus Cristo, apenas para ficar nos exemplos de Pier Paolo Pasolini (O Evangelho segundo São Mateus) e Martin Scorsese (A última tentação de Cristo), em filmes grandiosos e emocionantes.
Aqui, a vida do padre franciscano, despojado de todas as vaidades para servir à missão religiosa e que se entrega ao sacrifício, é uma obra arrastada e chata, com depoimentos apenas de personalidades religiosas, que só fazem pregar para os convertidos.
O padre que, em Auschwitz, ocupou o lugar de um prisioneiro que seria morto em represália a uma fuga, merecia ser lembrado num filme melhor.
