03/06/2026
Documentário

Diante dos meus olhos

Os Mamíferos foi uma banda de sucesso em Vitória, no final dos anos de 1960. Inventiva e contestadora, nunca chegou a gravar um disco, mas participou de diversos festivais. Um ícone local, nunca recebeu reconhecimento nacional e logo acabou. Meio século depois, seus ex-integrantes contam sua história.

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O documentário Diante dos meus olhos é algo curioso. Não é criativo o bastante para ser um filme experimental (embora, em alguns momentos queira sê-lo), e não é informativo o suficiente para termos uma ideia mais clara do assunto de que trata: a dissolução de uma banda capixaba dos anos de 1970, Os Mamíferos. Ao final, a sensação é de que um curta bem pesquisado e montado daria conta do assunto a contento. Mas o diretor e roteirista André Félix ambiciona algo além.
 
É claro o que ele tem em mente, um documentário impressionista no qual membros da extinta banda, Marco Antônio, Afonso e Mario Ruy, resgatam a história do grupo. Eles não se encontram, cada um dá seu depoimento em separado, que aparece fragmentado ao longo da narrativa, intercalando imagens aleatórias (algumas tão bem feitas que mereciam estar em outro filme no qual fizessem mais sentido). A história que emerge dos depoimentos é de um certo ressentimento entre eles mesmos, e com a cena artística brasileira.
 
O universo que o filme poderia explorar é rico e pouco conhecido: a contracultura capixaba de 50 anos atrás. Pelos fragmentos que são ouvidos aqui e ali, temos a ideia de que era algo interessante, mas o filme nunca se dá ao trabalho de um mergulho mais profundo. Tudo é disperso e superficial, tendo como fonte apenas as faltas dos ex-Mamíferos. A sensação é de que havia muito a ser dito e mostrado e a opção por contar apenas sobre o fim da banda é restrita demais.
 
Não fica muito claro o motivo pelo qual o grupo acabou – fora os egos e rivalidades internas, pressão externa e afins. Era para ser uma história que empolgasse com as disputas entre os membros, e o que eles têm a dizer um do outro, mas o ritmo não é fluido. Diante dos meus olhos é um marasmo que vai dispersando o interesse, quando tinha tudo para ser algo instigante. Uma baita banda que praticamente ninguém conhece – a maioria das músicas que aparecem no filme é boa – mas não vai ser com esse documentário que vamos ficar conhecendo. 
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