Fahim (Assad Ahmed), de 8 anos, deixa um cenário de conflitos e destruição em Bangladesh, ao lado de seu pai (Mizanur Rahaman), para imigrar para a França, onde procura não apenas segurança física, mas conforto emocional. Deixando mãe e irmãos para trás, o garoto continua cheio de preocupações e melancolia.
Escrito e dirigido por Pierre-François Martin-Laval, o filme é, no entanto, otimista. Sua principal função é celebrar o espírito de fraternidade francês, que, no últimos anos, talvez não ande tão em alta – ao menos em relação a imigrantes e refugiados. Inspirado numa história real, como não poderia deixar de ser, A Chance de Fahim é um longa que busca algum consolo em meio a uma Europa vez mais reacionária.
Na França, mesmo enfrentando outros tipos de dificuldades, o menino e seu pai tentam se adaptar à nova vida. Na escola, Fahim é hostilizado pelos outros garotos, mas encontra sua chance no jogo de xadrez, para o qual revela um talento natural, espantando até o experiente professor Sylvain Charpentier (Gérard Depardieu), que o treina.
Depardieu está no tipo de papel que lembra ele mesmo, bonachão, bon vivant, histriônico. Rigoroso, ele percebe o talento do protagonista e não desiste de o levar ao topo, mesmo que a duras penas, e com isso conseguir a documentação para ele e sua família viverem legalmente no país. O personagem é inspirado em Xavier Parmentier, treinador de diversos e diversas enxadristas de prestígio da França, que morreu em 2016.
Inspirado no livro de memórias de Fahim Mohammad, o longa é sincero em suas intenções, embora completamente convencional e previsível. Ainda assim, talvez seja uma história necessária para tempos sombrios como o nosso, para lembrar como a solidariedade e a empatia são importantes.
