Bruna Marquezine defende seu primeiro papel de destaque no cinema em Vou nadar até você, drama que marca a estreia de Klaus Mitteldorf na direção de um filme de ficção. Veterano e premiado fotógrafo de moda, Mitteldorf compõe um filme com belas imagens, traduzindo uma indiscutível preocupação com o primor estético, especialmente para fotografar paisagens marítimas e corpos femininos - o que, já no Festival de Gramado 2019, em que o filme integrou a competição, lhe valeu críticas de fetichização, ainda mais porque os corpos masculinos não recebem o mesmo tratamento.
Bruna assume o papel da protagonista Ophelia, fotógrafa de 20 anos, que foi criada apenas pela mãe, Talia (Ondina Clais). Sabendo que o seu suposto pai, Tedesco (Peter Ketnath), está no Brasil, Ophelia decide ir ao seu encontro - só que a nado, deslocando-se entre Santos e Ubatuba, onde ele está. A jornada aquática - que exigiu um treinamento por parte da atriz, que fez a maioria de suas cenas sem dublês - permite também à garota um mergulho na solidão e no autoconhecimento.
Esse fiapo de roteiro, apesar da qualidade fotográfica, mostra-se esparso para sustentar um longa. Não há aprofundamento suficiente dos personagens, nem de Ophelia e sua família, muito menos de coadjuvantes como Smutter (Fernando Alves Pinto) - um tipo misterioso, que é contratado por Tedesco para seguir Ophelia e parece ter na história uma função de alívio cômico com seus disfarces e tiradas enigmáticas.
É uma pena que o filme não tenha maior consistência em sua dramaturgia, já que Bruna Marquezine mostra sensibilidade e talento para render mais. Merecia uma história menos vaga e artificial.
