20/07/2026
Suspense

Disforia

Dário é um psicólogo que trabalha com crianças e que se afastou de seu trabalho por causa de um acontecimento traumático. Quando acaba aceitando uma nova paciente, conhece a garota Sofia, cujo tratamento o obrigará a encarar seu passado.

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Disforia é um suspense que flerta com o horror – ou seria o contrário? O gênero dominante não importa muito no longa de estreia do curtametragista Lucas Cassales, que traz como protagonista um psicólogo (Rafael Sieg) especializado em crianças que retoma seu trabalho após um trauma. Sua primeira paciente é Sofia (Isabella Lima), uma menina de 9 anos, que possui um comportamento peculiar.
 
Ao lado dela, estão o pai, Paolo (Vinícius Ferreira), e a avó materna (Ida Celina), que ajudou a criar a menina cuja mãe morreu no parto. O filme, escrito por Cassales e Thiago Wodarski, busca nessa figura da garota o ponto de estranhamento que desconcerta tanto o protagonista, quanto o pai dela – em ambos, traumas do passado. E é isso que faz a narrativa caminhar.
 
A trama se calca na dubiedade e no mistério – além das excelentes fotografia (assinada por Arno Schuh) e direção de arte (de Richard Tavares e Mauricio Bispo), que criam uma atmosfera que transita entre o onírico e o pesadelo. Há, no entanto, muitas vezes, um desejo de criar imagens belas e/ou de impacto que nem sempre parecem muito conectadas com a narrativa principal, tornando-as um tanto deslocadas.
 
As personagens não evoluem como tal ao longo do filme, e esse é, possivelmente, seu maior problema. Sofia é quase caricata em seus clichês, e os dois personagens masculinos não estão muito além disso. As transformações do psicólogo, ao acessar seus traumas, engatilhados pelo contato com a menina, são quase gratuitas. Se o filme até começa bem, criando um clima e expectativa, tudo se esvai aos poucos numa cartilha de gênero que pede por imagens de impacto, simbolismo e afins, em detrimento de uma fluição mais eficiente.
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