03/06/2026
Documentário

Camino a Roma

O cineasta mexicano Alfonso Ciuarón fala sua suas escolhas pessoais e técnicas na criação de seu premiado longa "Roma", que nasceu de sua infância na Cidade do México no começo dos anos de 1970 e sua relação com a empregada de sua família.

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Roma, de Alfonso Curarón, é um filme tão rico que um making of documental ajuda a descobrir novas camadas. Não é nenhuma novidade que se trata de uma recriação das memórias da infância do diretor na Cidade do México do começo dos anos de 1970,. O documentário, dirigido por Andres Clariond e Gabriel Nuncio, joga luz sobre esse elemento em especial.
 
O filme é uma longa entrevista de Cuarón, ilustrada por cenas de bastidores e do próprio Roma, tornando-se uma investigação interessante sobre seu processo criativo e de como fazer esse projeto foi uma viagem – quase uma sessão de psicanálise – ao seu passado, que, como ele mesmo confessa, ajudou-o a compreender momentos obscuros em sua memória, como quando seu pai abandonou a família. Não que ele tenha encontrado uma maneira de moralmente justificar o ato, mas, sem se dar conta disso, pode compreender o que aconteceu e o que se passava com seu pai quando foi embora. E isso se deu somente no momento em que dirigia o ator na cena.
 
É fascinante descobrir como cada decisão técnica foi tomada, em especial a escolha pelo preto e branco e a tela retangular. Cuarón conta que as cores foram uma decisão sua desde o princípio, mas o formato seria quadrado. Foi o diretor de fotografia mexicano Emmanuel Lubezki – com quem trabalhou em filmes como Gravidade e Os filhos da esperança – que o convenceu a mudar.
 
É, obviamente, um filme feito por um fã e para admiradores de Roma. Não há indagações sobre questões mais controversas que surgiram quando o filme foi originalmente lançado, no final de 2019, como a suposta posição de inferioridade na qual a protagonista (uma babá e empregada) é colocada, conforme apontaram críticos ao filme. De qualquer forma, o diretor se mostra bastante consciente de sua posição privilegiada como uma criança de classe média burguesa, como ele mesmo define, e quanto isso pautou a relação com Libória, a sua empregada na vida real, que vive com a família até hoje.
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